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Questão UFO 19

Seqüestrados por ETs?
Quinta-feira, 8 de agosto de 2002

Por Fernando Caldas.

Texto originalmente publicado no jornal “O Imparcial”.


A testemunha, com muito medo, relata que foi seqüestrada por seres extraterrestres. À noite, do seu quarto, foi levada até uma astronave. Paralisada e submetida a experimentos de diversos tipos, descreve os ETs como sendo baixos, de aparência frágil, crânio  proporcionalmente bem maior que dos humanos e grandes olhos escuros. Acordou em sua cama, sem saber explicar como voltou.

Narrativas semelhantes a esta já foram colhidas aos milhares, em todo o mundo. Testemunhas que relatam abduções, termo sinônimo de seqüestro por ETs, geralmente são arredias. Resistem em contar o que passaram. Temem "atrair novamente aquilo", ser consideradas loucas, transformar-se em motivo de rejeição ou gozação por parte de outras pessoas.

Sem dúvida, trata-se do tema mais delicado na pesquisa de contatos com ETs e OVNIs (Objetos Voadores não Identificados). Boa parte dos relatos é carregada de fortes emoções, principalmente medo e sensação de impotência, além da fala embargada. É difícil acreditar que estas pessoas estejam mentindo, inventando tais fatos. 

Hipnose 

O caminho mais comum é hipnotizar a testemunha para obter mais detalhes sobre o que aconteceu. Como se sabe, a hipnose é um estado semelhante ao sono, que pode favorecer o surgimento de lembranças. Mas não é milagrosa! Especialistas desta área fazem duas advertências importantes. Primeira: as crenças do hipnotizador (se ele acredita que a abdução realmente ocorreu) podem influenciar a mente do hipnotizado que, inconscientemente, acaba falando o que o hipnotizador deseja ouvir. Segunda: da mesma forma que favorece as lembranças, a hipnose aumenta as chances do surgimento de fantasias. O hipnotizado pode, sinceramente, narrar fatos que nunca ocorreram, inclusive manifestando fortes emoções!!!

Adicionalmente, esta abordagem tem sido utilizada sem os devidos cuidados. Vários dos pesquisadores (ufólogos) que investigam abduções praticam hipnose sem ter formação em psicologia ou psiquiatria nem treinamento específico como hipnólogo reconhecido por entidades médicas. 

Dentro do cérebro 

O neurologista Michael Persinger, da Laurentian University, Canadá, tem uma explicação para os relatos de abdução. Em laboratório, estimulou eletricamente o lobo temporal de voluntários, com resultados muito interessantes. Participantes do experimento sentiram medo, relataram que havia "mais alguém ali, no laboratório" e tiveram a nítida impressão de estar em movimento, sendo arrastados, quando, na realidade, estavam sentados em uma poltrona. Persinger propõe que certas pessoas mentalmente normais podem, espontaneamente, manifestar alucinações como as deste experimento, interpretando-as como um contato com ETs. Por mais vívidas que sejam estas imagens e sensações, estão acontecendo somente dentro do cérebro destes indivíduos. O estado entre vigília e sono favorece muito a ocorrência de distorções na percepção. É importante notar que a maioria dos relatos de abduções acontece exatamente neste estado de transição entre estar acordado e dormir. 

Falsas memórias 

A pesquisadora Elizabeth Loftus, da Universidade de Washington, EUA, já demonstrou cientificamente que há pessoas, mentalmente normais, capazes de formar em seus cérebros lembranças de fatos que nunca ocorreram, ou seja, falsas memórias. Em um experimento, sugeriu (utilizando persuasão e firmeza) a um grupo de pessoas que haviam se perdido em um shopping center quando crianças. Um de cada quatro dos participantes concordou e chegou a se lembrar do episódio. O detalhe é que o shopping não existia na época!!! Quanto mais a pessoa acreditar nestas falsas memórias, mais fortes são as emoções associadas a elas. Os resultados de sua pesquisa derrubam a idéia, ainda muito difundida, de que "se eu estou sentindo emoções intensas, então isto realmente aconteceu comigo". Em um documentário sobre abduções exibido no canal de TV por assinatura Infinito, Loftus alertou que o conhecido pesquisador de abduções Budd Hopkins, induz testemunhas a formar falsas memórias sobre seqüestros por ETs. Hopkins pratica hipnose e psicoterapia em pessoas que relataram abduções sem ter formação em psicologia ou psiquiatria. 

Boas orientações 

Mesmo já estando na casa dos milhares, não apareceram, até o momento, evidências físicas como peças, vestimentas, curativos, implantes ou algum tipo de aparelho de tecnologia não humana, que pudessem inquestionavelmente comprovar a origem extraterrestre deste tipo de seqüestradores.

Quanto mais se divulgam detalhes das chamadas abduções, mais aparecem outras pessoas explicando que também foram abduzidas. Especialistas em psicologia social sabem que certas informações muito difundidas podem alimentar o imaginário popular, aumentando as chances de ocorrência dos fenômenos mentais pesquisados por Persinger e Loftus. A grande quantidade de casos acaba não sendo um bom indicador de que estejam ocorrendo verdadeiros seqüestros de humanos por alienígenas.

Boas orientações para uma testemunha que relata uma abdução incluem: 1. Evitar hipnose para não estimular fantasias (principalmente se praticada por pessoas não qualificadas); 2. Informá-la sobre as pesquisas que podem trazer esclarecimentos como as de Michael Persinger (alucinações) e Elizabeth Loftus (falsas memórias); 3. Se os episódios estiverem acontecendo com freqüência ou causarem transtornos, não hesitar em buscar ajuda de um psicólogo ou psiquiatra.